Seminário do Mestre De la riva – Lauro de Freitas – 4 de junho de 2010
maio 14, 2010, 1:23 am
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Entrevista com Mestre De la riva (Tatame.com.br)
maio 14, 2010, 1:19 am
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Ricardo De La Riva terça-feira, 02 de março de 2010 – 10:04:01 Por assinantes da TATAME

Criador da famosa guarda De La Riva, mestre de nomes como Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro… Ricardo De La Riva tem história para contar. Em janeiro deste ano, o faixa-preta completou 30 anos dedicados à arte suave. Em comemoração a esta data especial, a TATAME convidou o mestre para responder às perguntas dos nossos assinantes, que perguntaram sobre como surgiu sua guarda, as mudanças no Jiu-Jitsu, os duelos com os Gracies, a expectativa para o futuro da arte suave e muito mais.

Quem melhor representa o Jiu-Jitsu clássico no MMA atual? (Julio Andrade)

Gosto muito do Minotauro, tem um estilo que eu gosto muito, sempre busca a finalização. Ele é um cara que está sempre tentando pegar, nunca tenta amarrar.

Como é ser criador de uma posição utilizada em larga escala numa arte milenar como o Jiu-Jitsu? Como surgiu a guarda De La Riva? (Julio Andrade e Fernanda Pezarico)

Eu sou da escola do Carlson, que é uma escola de passador de guarda, e eu sempre fui muito flexível e sempre tive facilidade de fazer guarda. No começo era mais defensiva, e por eu dificultar o pessoal na passagem todo mundo estava sempre querendo passar minha guarda e me acostumei mais a fazer guarda. Devido a essa minha flexibilidade, um dia eu consegui botar o gancho ali, chamado de De La Riva hoje, e eu vi que ali eu conseguia controlar o adversário, eu conseguia prender eles lá, ninguém conseguia sair. Eu comecei a tentar fazer uns desequilíbrios, e do gancho você consegue jogar para os quatro lados, então você tem várias opções.

Por qual necessidade surgiu a guarda De La Riva? (George Augusto dos Santos)

De tanto nego me amassar e jogar o peso em cima de mim (risos)… O pessoal tinha muito o hábito de passar em pé e vi a oportunidade de botar o gancho, o pessoal se enrolou e dali eu comecei a trabalhar. Eu tive muita sensibilidade e o pessoal passador ajudou bastante.

Qual é a sensação de ter seu nome associado a uma posição do Jiu-Jitsu? (João Paulo Pereira Rosa)

É uma responsabilidade muito grande, tem que continuar sendo eficiente. Procuro sempre mostrar alguma coisa nova nessa posição e sempre tento evoluir. Tenho o maior orgulho de ter conseguido colocar no Jiu-Jitsu uma técnica que leve meu nome gravado no Jiu-Jitsu.

Como você se sente sendo umas das maiores referências do Jiu-Jitsu? (Fernanda Pezarico)

Eu tenho muito orgulho em saber que eu pude ter feito alguma coisa pelo Jiu-Jitsu. Sempre que faço minhas viagens o pessoal reconhece quando vou mostrar o gancho De La Riva, o pessoal até presta mais a atenção. Mas ao mesmo tempo é uma responsabilidade, porque se eu fizer uma besteira também vão cobrar, por isso me mantenho atualizado e sempre treino.

Você já enfrentou membros da família Gracie, conseguindo vitórias. Como você se sentiu ganhando dessa família tradicional no Jiu-Jitsu? (Fernanda Pezarico)

Eu lutei com o Royce e com o Rolker e ganhei deles no mesmo dia. No meu primeiro campeonato de faixa-preta, lutei com o Renzo no Brasileiro e perdi. Lutei três vezes com o Royler, ganhei duas e perdi uma, e todas lutas foram super disputadas. Na época, eu não tinha muita noção da dimensão dessas vitórias. O Carlson é que vibrava com isso e fazia as provocações dele no jornal e na TV… Era a forma dele, eu preferia ficar na minha. Era uma situação difícil de lidar, tem que ter a cabeça boa pra administrar.

Quem você apontaria como adversário mais difícil que enfrentou? (Leandro Rezende Amorim)

O Royler realmente era o cara mais perigoso, o Jiu-Jitsu dele… Ele ia acelerando, acelerando e não parava, eram dez minutos vindo com tudo. Ele era o cara mais sinistro para lutar, eu tinha que estar com uma atenção e todos os astros alinhados para ganhar do cara, porque senão não dava.

Como você se sente em ter ajudado na formação do Minotauro e seu irmão? (Fernanda Pezarico)

Eles se desenvolveram da forma deles, têm os méritos todos deles… É claro que ajudei, dei um toque… Fico muito feliz em ter ajudado, mas é mérito deles terem conseguido fazer uma transição tão boa do pano para o MMA.

O que é ser um campeão? O que se necessita para ser um? (João Paulo Pereira Rosa)

Muita dedicação, paciência e respeito. Esses três quesitos são muito importantes. O cara deve saber respeitar todos na academia ou em qualquer lugar, a dedicação dele ir lá treinar e a paciência, porque às vezes as coisas não estão dando certo e é necessário ter muita paciência. Esses são os pontos chave para a evolução e o nascimento de um campeão.

Qual o maior mestre e qual o melhor aluno que já treinou? (Leandro Rezende Amorim)

Carlson, para mim, foi o melhor. O melhor aluno é aquele que está com vontade de aprender, esse é o melhor aluno para mim, respeitando a todos e se dedicando.

Com quantos anos você entrou no Jiu-Jitsu? Você acha que uma pessoa que começa a pratica de Jiu-Jitsu depois dos 24 anos pode chegar a ser um bom professor tendo uma base de Submission? (Rafael Ribeiro Anselmo)

Comecei em janeiro de 1980, quando eu fiz 15 anos de idade. Com certeza, o bom do Jiu-Jitsu é que não tem idade, é diferente das outras lutas, você para um mês em outras lutas e volta completamente fora, no Jiu-Jitsu não, você consegue trabalhar. Hoje estou com 45 anos e as vezes estou viajando, fico parado uma semana, e em alguns dias o ritmo volta. Se você tem uma boa saúde, hábitos corretos, com certeza pode ser um bom professor e ter uma longa vida no Jiu-Jitsu.

Depois de anos dedicados ao Jiu-Jistu, o que você destaca de evolução no esporte e quais são suas perspectivas para o futuro? (Diego Hallysson Alves de Oliveira)

A base é a mesma, o estrangulamento, a tesourada, mas é claro que a surpresa faz parte do show e são essas surpresas que sempre aparecem, como a guarda 50-50. Sempre aparecem coisas novas, as surpresas estão desenvolvendo a base. O cara pega a base e desenvolve da forma dele. A evolução não vai parar nunca, é eterna, mas tem que ter a base. As perspectivas são ótimas, o Jiu-Jitsu sempre dá um leque de opções e oportunidades, são muitos detalhes e são os detalhes que fazem a diferença e trazem a evolução.



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